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Público caminha em espetáculo pelas ruas de SP em busca  de conexão com a cidade inspirado no artista José Leonílson

Propondo uma sensibilização do olhar e uma interação com a cidade e com as pessoas ao redor, o espetáculo performativo Cartografia do Afeto – Manifesto Leonilson estreia sexta-feira, 3 de junho às 15h. Com direção de Roberto Rezende, integrante do Cambar Coletivo, e com os atores Ricardo Henrique e Sidney Santiago, o projeto foi contemplado pela 3ª edição do Prêmio Zé Renato de fomento ao teatro. A temporada vai até 16 de julho com sessões quintas às 17h, sextas às 15h e sábados às 15h.

A ação se inicia em dois lugares distintos com o público dividido nas casas dos próprios atores, a primeira fica no bairro do Bixiga, próximo à Praça Roosevelt, e a segunda fica pelo bairro da Bela Vista, perto do Masp). As reservas serão feitas pelo telefone (11) 97237-8831, quando os participantes descobrirão o local exato de encontro.

Após uma recepção com a “plateia”, cada ator/performer acompanhará os seus convidados em uma deriva pela metrópole paulista. Ambos os núcleos têm autonomia e proporciona experiências diferentes dentro da linguagem performativa do espetáculo.

“Tentaremos encorajar a plateia no deslocamento de perspectivas, nas tomadas de decisões e posicionamentos em composições que se constroem nas sincronias e nos acasos daquele dia. É um jogo com o público que se torna manifesto do aqui e agora, no que se torna genuinamente afeto. Cada ator é como se fosse um jogador com cartas nas mangas, prontas para serem acionadas juntamente com seus convidados”, conta o diretor.

Um dos eixos para a concepção do projeto vem diretamente da arte de José Leonilson (1957 – 1993), que apresenta em sua trajetória uma obra predominantemente autobiográfica. Era como se cada peça construída fosse uma carta para um diário íntimo. Foi pintor, desenhista, escultor, em suas criações utilizou como suporte palavras, botões, penduricalhos, costuras e bordados, sendo estes últimos uma das suas marcas singulares. Minuciosamente trazia em seu bordar uma organicidade que vibra humanidade e a precariedade no pontilhar o fio era propositadamente uma escolha expressiva. Tinha alma nômade e de cigano, como ele próprio falava. Era um andarilho por natureza, figura recorrente em algumas de suas criações. A partir deste recorte do trabalho do artista, o andarilho foi utilizado como conceito, unindo com o procedimento da deriva e da cartografia como forma, resultando na composição do espetáculo.

“Ele nos inspira e nos afeta, e a partir de nossas próprias histórias e experiências, nos estruturando formalmente pelos procedimentos da deriva e da cartografia, saímos a rua em tentativa de busca de escuta, de fala, de peso ou leveza. Do que se manifeste no irrisório, no precário e no escondido. O ato de caminhar é uma tentativa-manifesto de acionar, por uma cartografia afetiva, uma reflexão sobre formas de relacionamento com a cidade, com o outro e em si. É sobre comunicar”, fala Roberto Rezende.

A deriva é um procedimento experimental de deslocamento que estuda os efeitos psicogeográficos do ambiente urbano nas condições psíquicas e emocionais das pessoas. Relacionada à arquitetura e urbanismo, essa técnica surge na década de 50, pelo movimento situacionista, como uma reação ao processo de espetacularização das cidades; uma tentativa de reapropriação do espaço público como uma zona de pertencimento dos cidadãos.

Um trecho dos diários sonoros de Leonilson no documentário A paixão segundo JL – de Carlos Nader – evidencia essa característica. “…um andarilho assim, acho que sou assim também… eu não sei o que que é que tô procurando… às vezes eu acho uns carinhas que eu fico apaixonado, aí eu acho que eles são o lugar que eu tô procurando. Mas eles são como uma paisagem linda no meu caminho…os carinhas são como as paisagens bonitas que eu vejo. Eu não sei o que tô pensando, eu não sei o que eu tô procurando, mas às vezes eu vejo uns meninos lindos na rua e eu vou seguindo ele… ”

Cartografia do Afeto – Manifesto Leonilson é uma parceria entre os universos artísticos dos atores Ricardo Henrique e Sidney Santiago, e do Cambar Coletivo, que assina a pesquisa de linguagem e de procedimentos (cartografia, deriva e programa performativo) deste processo criativo.

Para o seu maior conforto e bem-estar durante esta experiência, sugere-se:

  1. Usar roupas leves e sapatos confortáveis.
  2. Preparar-se com acessórios de acordo com as condições climáticas do dia, como guarda-chuva, capa de chuva, óculos escuros, protetor solar, cachecol.
  3. Levar uma quantia mínima de 20 reais para necessidades pessoais que surjam durante o trajeto.
  4. Importante trazer consigo o seu celular com bateria carregada e respectivos fones de ouvidos.

O Cambar Coletivo     

(alteração de cambiar) v. intr. Mudar, transformar; Mudar de rumo ou de direção; [Náutica] Mudar de um bordo para outro (vento, escota das velas, etc.); v. tr.[Antigo] Trocar; Confrontar: sambar. Sinônimos: alborcar, dar, descambar, cambiar, comutar, descair, tender, escambar, titubar, mudar, bordejar, pender, trambecar, variar, puxar, propender, oscilar, inclinar-se, vacilar, vanguejar, cambalear, nutar, dirigir-se, trocar, titubear, virar.  Enquanto Coletivo somos um território de trocas constantes de pesquisas que envolvem programas de derivas, cartografias e jogos como procedimentos para abertura e manutenção de um campo intensivo de criação artística. Nossas atividades transitam entre a formação, criação e propagação das artes cênicas e visuais e os seus entre lugares. Através de nossas oficinas; residências; intercâmbios e composições buscamos ampliar o atrito performativo que gera nossa existência no mundo.  De uma forma geral, nossas atividades buscam reforçar o aspecto lúdico inerente as relações humanas e a maneira como podemos ocupar os espaços e o tempo onde vivemos. Os interesses que impulsionam nossas ações envolvem um questionamento ininterrupto sobre os acordos, os limites e as convenções em que os eventos artísticos são negociados entre seus participantes. Atrelados a estes interesses, priorizamos ainda a subversão de espaços para uso como território da arte. Nossos processos surgem do debate sobre as tensões e nuances entre público e privado; gêneros e identidades. Abordamos nossos temas a partir da ideia de corpo-território e do fluxo de forças que o compõe. O Cambar Coletivo é articulado por Flávio Rabelo (Maceió, Campinas, Diamantina), James Turpin (São Paulo, Londres), Roberto Rezende (Maceió, São Paulo) e Raquel Aguilera (Aldeia Velha, Rio de Janeiro).  www.cambarcoletivo.com

Ricardo Henrique

O ator formou- se na EAD – Escola de Arte Dramática ECA-USP (2008-2012) com o espetáculo DANTON.5 com o Núcleo dos 5 e orientação de Cristiane Paoli-Quito e José Fernando de Azevedo. Atuou também nas seguintes montagens: Tão Pesado Quanto o Céu, de Ricardo Inhan e direção de Mariana Vaz. Só…Entre Nós, de Franz Keppler e Direção de Joca Andreazza. 2 X Anthony Neilson – de Anthony Neilson, direção de André Pink. É Proibido Miar, de Pedro Bandeira e direção de Marcelo Klabin. Tebas, dramaturgia de Lucienne Guedes e direção de Luís Mármora. O assassinato do anão…, de Plínio Marcos e direção de Silnei Siqueira. Os Cidadãos de Calais – de Georg Kaiser e direção de Isabel Setti. Machado Assim, contos de Machado de Assis e direção de Luís Damasceno. A Tempestade, de William Shakespeare e direção de Raquel Araújo. Em 2015 realiza sua primeira direção para o espetáculo Casa e Nuvem Branca com a DeSúbito Companhia.

Sidney Santiago 

Performer e ativista, o ator formou-se na EAD – Escola de Arte Dramática da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. É membro e co-fundador da Cia de Teatro e Intervenção Urbana Os Crespos, que pesquisa as questões racio-sociais. Esteve no elogiado longa – metragem O Signo da Cidade com direção de Luís Alberto Riccelli, onde deu vida ao travesti Josi. Ainda no audiovisual participou da Série Carandiru – outras histórias com direção de Hector Babenco e Roberto Gervitz. Grafitti de Lílian Santiago, Reflexões de um liquidificador, de André Klótzel. Os 12 trabalhos, de Ricardo Elias. Os Inquilinos de Sérgio Bianchi. Atuou em Caminho das Indias da escritora Glória Perez, exibido pela Rede Globo e em outros diversos trabalhos no teatro.

Roberto Rezende  

Ator e performer, é mestrando no curso de Pós -graduação em Artes da Cena da Unicamp com a pesquisa ” O procedimento da Deriva como dispositivo de criação do Artista da Cena”, sob orientação de Ana Cristina Colla. É formado pela Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (EAD/ ECA/USP); é integrante fundador e artista do CAMBAR Coletivo, onde desenvolve sua pesquisa e ações em Performace Arte www.cambarcoletivo.com ; é artista no grupo de pesquisa em cinema AP43  e na Estação Colaborativa de Trabalho em Performance LAPLATAFORMANCE. No cinema, está como ator em processo de filmagem para o longa metragem “Guigo- offline”, direção de Renê Guerra. Atuou no curta metragem “Ontem à noite”, de Henrique Oliveira, que participou do 22º Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade ; Competição Internacional de curta-metragem Rio Festival Gay de Cinema 2014. No Teatro, atuou em “Bom Retiro 958 metros” -Teatro da Vertigem, sob direção de Antônio Araújo; Co-criou, produziu e atuou no internacional espetáculo performativo “Hotel Medea”, direção de Jorge Lopes Ramos e Persis-Jade Maravala, uma co-produção Reino Unido – Brasil, premiado no Festival Fringe de Edimburgo 2011, Escócia, como melhor espetáculo de inovação nas Artes cênicas pelo Herald’s Angel; Para saber mais: http://robertorezende.flavors.me/

Luiz Gayotto  

É compositor, cantor, arranjador, violonista, percussionista e percussionista corporal. Formado em música popular pela Unicamp/SP em 1992, desenvolve sua carreira de cantor e compositor de música popular há quinze anos. Tem quatro CDs autorais lançados, emtre eles: “O Catarina” (Dabliú Discos/1998),  “Fragmentos de Música Livre e Espontânea” ( MCD World Music/2004) e Proponhomix ( Selo Cooperativa/2011 . Em 2007 foi indicado para o Prêmio Shell de Teatro, pela trilha de “VemVai O Caminho dos Mortos” (Cia Livre de Teatro).  Em 2009, fez a direção musical de “Se Você Não Sabe Mais Quem É…”, de Heiner Müller com a Cia.São Jorge de Variedades, vencedor do Prêmio Shell 2010 como Projeto especial. Em 2014 foi indicado ao Prêmio Shell de Teatro pela trilha e direção musical do espetáculo FAUSTO de Goethe, com Cia São Jorge. Participou do Grupo de percussão corporal “Barbatuques. Como percussionista e cantor, integra o trio “Tum.Tss.Tah” (música eletrônica progressiva), participou do Projeto Garrafada do DJ Tudo,   e da banda do cantor Rubi. Desde 2007 é professor da EMESP- Tom Jobim, onde dirige o Grupo Vocal EMESP. Fez parte do Conselho Artístico da Cooperativa de Música de São Paulo de 2007 a 2010.  www.luizgayotto.com.br

Mayara Marcarenhas  

Cursou Design de Moda (2009- EID Barcelona/Barcelona – Espanha; Vitrinismo (2011 – Aclys estudios/Valencia – Espanha) e Direção de Arte (2014 – Academia Internacional de Cinema). Trabalha como Vitrinista de 2009 a 2012 e, em 2013, faz co-criação e direção do editorial da coleção de moda afro “Solte o Chão” da estilista Naya Violeta. Trabalha na televisão como Figurinista no programa “Telecurso Espanhol” da Fundação Roberto Marinho e como assistente de figurino na série “Surtadas na Yoga” do canal GNT. No cinema, fez assistência de figurino no longa “Mundo Deserto de Almas Negras” (2012) e produção do figurino do curta “Laio” (2012). No teatro, concebe a Direção de Arte e a produção de cenário e figurino da peça “Engravidei, pari cavalos e aprendi a voar sem asas” da Cia. Os Crespos (2013/2014); Concebe cenário da peça “A Favela” da Cia. Os Crespos (2014). Trabalhos autorais: Curta metragem – “Lugar de Poder Ser” – concepção, produção e direção (2014). Elaboração conjunta e figurino da performance urbana “Rastro” (2014) finalizando em produção independente e direção de uma vídeo-arte. Curta metragem – “O Reino do Preto Solar” – concepção, produção e direção (2015).

SERVIÇO

Cartografia Do Afeto – Manifesto Leonilson

Temporada de 3 de junho a 16 de julho.

Quintas às 17h | Sextas às 15h | Sábados às 15h

Duração do evento: 3 horas, sendo 2 horas em deslocamento a pé pela cidade.

Ficha Técnica

Direção/Encenação: Roberto Rezende. Atores e concepção do projeto: Ricardo Henrique e Sidney Santiago. Assistência de encenação: James Turpin. Direção de arte: Mayara Mascarenhas. Direção sonora: Luiz Gayotto. Produção: Paulo Salvetti. Assistente de Produção: Renan Salvetti. Assistentes de operação: Guto Tataren. Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes. Registro fotográfico e audiovisual: Alice Jardim. Provocação: Flávio Rabelo e James Turpin. Designer Gráfico: Rodrigo Kenan. Pesquisa de linguagem e procedimentos: Cambar Coletivo. Palestrantes: Flávio Rabelo e Ricardo Resende.

Reservas de convites*:

Telefone (11) 972378831

Terça-feira: das 10 às 11 horas (caso ainda não tenha se completado o grupo de 20 pessoas) Quarta-feira: das 14 às 15 horas. (A partir do dia 31 de maio até o dia 13 de julho)

Para informações das lotações, acompanhe o Facebook do espetáculo e do Cambar Coletivo https://www.facebook.com/CambarColetivo

A ação se inicia em dois lugares uma no bairro do Bixiga, próximo à Praça Roosevelt, e a outra fica pelo bairro da Bela Vista, perto do Masp).

*Obs: O local de encontro será informado por telefone no ato da reserva. É necessário que se chegue ao local com a antecedência mínima de 30 minutos.

Informações Para Imprensa

Adriana Balsanelli – (11) 99245 4138

imprensa@adrianabalsanelli.com.br

Renato Fernandes – (11) 97286 6703

renato.fernandesgon@gmail.com