sub_topo_voltar_cia_ocamorana1924, A Revolução Esquecida, montagem da Cia Ocamorana de Teatro estreia no Sesc Belenzinho dia 10/12

 O espetáculo traz à tona a história real de refugiados em São Paulo no movimento que durou 23 dias. 5 atores e 3 músicos reconstituem momentos da revolta que atingiu mais de 700 mil pessoas, a maioria delas imigrantes. O grupo também ministra oficina sobre Teatro Jornal.

Uma cidade é atingida por artilharia pesada em aviões bombardeiros, tendo como principal alvo a população pobre e civil. Entre os mortos e feridos, a maioria, imigrantes. Mais da metade dos sobreviventes abandonam suas casas partindo em trens superlotados. Este não é o roteiro de um filme sobre o novo fluxo global de refugiados. É o relato de uma São Paulo, duramente bombardeada por 23 dias, no ano de 1924.

A história de uma revolução pouco lembrada até por brasileiros é o mote do espetáculo 1924, A Revolução Esquecida montagem da Cia Ocamorana de Teatro que estreia em curta temporada no Sesc Belenzinho de 10 a 20 de dezembro, quinta a sexta, às 21h30 e domingo, às 18h30.

Com texto e direção de Márcio Boaro e co-direção de Andressa Ferrarezi, o elenco é formado por Manuel Boucinhas, Maria Carolina Dressler, Mônica Raphael, Cristiano Tomiossi e Heitor Goldeflus. A trilha sonora é executada ao vivo pelos músicos Flávio Rubens, Alexandre Moura e Samba Sam.

Durante a temporada a Cia Ocamorana também realiza uma Oficina de Teatro Jornal, nos dias 15 e 16 de dezembro, com Eduardo Campos Lima (jornalista e doutor em Dramaturgia pela FFLCH/USP e Márcio Boaro. As inscrições vão até 11 de dezembro. O projeto foi contemplado pela 25ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro.

A montagem aborda uma história que apesar documentada, é pouquíssima conhecida. A peça trata do assunto por meio da ficção, mas também reconstitui alguns fatos reais. A trama se passa nos dias dos ataques. Imigrantes em uma grande cidade buscam uma nova vida, mas acabam em um pesadelo. “Procuramos suscitar no espectador um juízo crítico frente um acontecimento real, buscando narrar os fatos da forma mais próxima possível de como ocorreram. Registros e documentos históricos são usados no texto como fala ou argumentação das personagens”, explica o diretor Márcio Boaro.

A peça conta a saga de um grupo de pessoas que está abrigada no extinto Teatro Olympia (antigamente localizado no bairro do Brás), após ter suas casas destruídas. A situação se redimensiona em horror quando se descobre que foi do próprio governo a ordem para a chacina promovida contra o povo.

“A história desses refugiados representa as diferentes realidades vividas pela população de São Paulo na época. Como em um palco tudo cabe, nos aproveitamos desse teatro fictício cheio de refugiados para analisar um capítulo da história do Brasil e discutir a função do teatro”, diz o diretor.

Revolta Paulista

A Cia Ocamorana, desde 1999, foca suas pesquisas no teatro épico, e mais recentemente também no teatro documentário. Ao se deparar com um dos capítulos menos conhecidos da história do nosso país o grupo vislumbrou potencial para tratar, não apenas dos fatos, mas também para falar sobre as relações humanas daquele momento.

“O nosso interesse inicial na temática estava relacionada ao apego, ao poder e até onde a classe dominante pode ir para mantê-lo. Somamos à isto a formação da classe média paulistana. Acreditamos que a dita Revolução Esquecida é propositalmente escondida. É muito curioso que estes acontecimentos sejam pouco conhecidos, não fazem parte do currículo escolar e nem a população da própria cidade sabe da sua história. Para podermos entender a sociedade atual temos de entender sua história,” afirma Boaro.

Tudo começou no dia 5 de julho de 1924, quando tropas militares descontentes com os rumos da República Velha (os chamados tenentistas) tomaram a cidade com o intuito de iniciar uma revolta que destituiria o Governo Federal, na época uma ditadura feroz de Arthur Bernardes, representante da política oligárquica do “café-com-leite”. Entre as reivindicações estava o voto secreto, a justiça gratuita e a instauração do ensino público obrigatório.

O conflito, embora tenha durado menos de um mês, deixou consequência tristes para cidade e não foram esquecidos pelos moradores mais antigos, porque bairros operários como o da Mooca, Brás e Perdizes foram muito atingidos. São Paulo é a única cidade das Américas que foi bombardeada por aviões. Nos 23 dias que durou a ocupação, o número de mortes passou de 5 mil pessoas e só não foi maior porque cerca de 300 mil pessoas, metade da população, saíram da Capital.

O preconceito contra os migrantes e imigrantes pobres que constituíam a maioria da população foi determinante na decisão do presidente Artur Bernardes. “Pelo momento atual que vivemos, inclusive com a questão dos refugiados na Europa, acreditamos ser extremamente importante relembrar que a nossa população é composta por filhos e netos de refugiados, que vieram para cá como imigrantes”, completa Boaro.

Sobre a Cia Ocamorana de Teatro

A Companhia Ocamorana surgiu da necessidade de retomar experiências vividas por alguns de seus componentes nos antigos grupos Boca de Cena e Cenas de Rua. Em 1998, montam em caráter experimental um texto clássico do teatro de esquerda estadunidense, “A Máquina de Somar” (The Adding Machine), de Elmer Rice, tradução de Iná Camargo Costa e Márcio Boaro.

Em outubro de 2002, durante o período de ocupação do Teatro de Arena Eugênio Kusnet, iniciam o trabalho com “As Aventuras e Desventuras de Maria Malazartes Durante a Construção da Grande Pirâmide”, de Chico de Assis, texto de 1966 censurado pela ditadura militar. Após o projeto de ocupação, em final de 2003, aprofundam os estudos sobre o foco narrativo, tendo como um dos resultados a leitura pública de “Retábulo de Santa Joana Carolina”, de Osman Lins, em 2004.

As pesquisas sobre dramaturgia de resgate histórico levaram o grupo ao Teatro Documentário, e à necessidade de pesquisar mais profundamente esta vertente do Teatro. Com o projeto “Rupturas”, no início de 2010, foram contemplados pela Lei de Fomento ao Teatro. Em 2011 estreiam a peça “Ruptura – Um processo Revolucionário”, com temporada no Teatro Coletivo, e convite para a abrir o 31ª Fazer a Festa – Festival Internacional de Teatro (terceiro festival mais antigo de Portugal), em abril de 2012.

Em 2012, contemplados pela 19ª edição do Fomento ao Teatro estreiam o espetáculo “Três Movimentos”, com temporadas em 2012 e 2013. Em abril de 2014 apresentaram a peça na mostra sobre os 50 anos do Golpe de 1964, no Centro Cultural São Paulo.

Ficha Técnica:

Dramaturgia e Direção: Márcio Boaro. Co-direção: Andressa Ferrarezzi. Colaborador: Eduardo Campos. Elenco: Manuel Boucinhas, Maria Carolina Dressler, Mônica Raphael, Cristiano Tomiossi, Heitor Goldeflus. Direção musical: Cristiano Tomiossi. Criação musical: Flávio Rubens, Alexandre Moura e Samba Sam. Preparação vocal: Érika Coracini. Preparação Corporal: Nei Gomes. Cenografia: Antônio Marciano. Produção: Mônica Raphael e Cristiano Tomiossi.

Para servico:

1924 – A REVOLUÇÃO ESQUECIDA – Estreia dia 10 de dezembro no SESC Belenzinho.

Temporada: De 10 a 20 de dezembro. Quinta a sexta, às 21h30. Domingo, às 18h30.

Sala de Espetáculos I. Capacidade: 110 Lugares.

Duração: 90 minutos.
Classificação etária: 14 anos.

Ingressos à venda pelo Portal Sesc SP (www.sescsp.org.br), a partir de 01/12/2015, às 15h30, e nas unidades, a partir de 02/12/2015, às 17h30.

R$ 20,00 (inteira); R$ 10,00 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor da escola pública com comprovante); R$ 6,00 (trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes).

Oficina de Teatro Jornal

O Teatro Jornal é uma forma que une o teatro e o jornalismo. Surgido na Revolução Russa e recriado em diversos países ao longo do século XX, baseia-se na encenação de notícias por meio de técnicas originadas no teatro popular, no circo, no cinema e na arte modernista.

Na Oficina, será abordado um pouco da história do Teatro Jornal no Brasil – quando o Teatro de Arena encenou, em 1970, Teatro Jornal – Primeira Edição – e no mundo. A partir de exercícios práticos e jogos teatrais, o objetivo da oficina é estimular a expressão e criação artística do participante.

Com: Eduardo Campos Lima (jornalista e doutor em Dramaturgia pela FFLCH/USP, autor do livro “Coisas de Jornal no Teatro”) e Márcio Boaro (dramaturgo e diretor da Cia. Ocamorana).

Público: Estudantes de teatro, atores, diretores e interessados na pesquisa da Cia. Ocamorana.

Inscrições até 11 de dezembro, por meio de envio de envio de currículo resumido para: teatrojornal@belenzinho.sescsp.org.br. Os candidatos selecionados serão avisados por e-mail até 13 de dezembro.
Vagas: 30 / Carga horária: 6h.  Sala de Espetáculos I. Grátis.
Não recomendado para menores de 16.
15 a 16/12. Terça e quarta, das 15h às 18h.

SESC BELENZINHO
- Rua Padre Adelino, 1000
Belenzinho – São Paulo (SP
Telefone: (11) 2076-9700
www.sescsp.org.br/belenzinho

Estacionamento
Para espetáculos com venda de ingressos:
R$ 11,00 (não matriculado);
R$ 5,50 (matriculado no SESC – trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo/ usuário).

Assessoria de Imprensa e Credenciamento Sesc Belenzinho

Jacqueline Guerra: (11) 2076-9762

Sueli Freitas: (11) 2076-9763

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Assessoria de imprensa do espetáculo

Adriana Balsanelli

(11) 99245 4138

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