sub_topo_voltar_naturaleza_muertaObra do uruguaio Mario Benedetti é ponto de partida para peça Naturaleza Muerta, que estreia na Vila Maria Zélia, dia 8/10

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Inspirado no prólogo do livro Gracias Por El Fuego, do uruguaio Mario Benedetti (1920-2009), o espetáculo Naturaleza Muerta estreia dia 8 de outubro, sábado, às 20h, no Armazém, do Grupo XIX de Teatro, na Vila Maria Zélia. As sessões são gratuitas, de sábado a segunda-feira. Excepcionalmente, dia 12 de outubro, quarta-feira, haverá espetáculo, às 19h seguido de um bate-papo sobre o tema Ser Latino-americano com o sociólogo e professor Jean Tible e a socióloga Carla Cristina Garcia.

Com direção de Rodolfo Amorim (do Grupo XIX de Teatro) o elenco é formado por Gabi Costa, Juliana Sanches, Maria Carolina Dressler e Tatiana Ribeiro, que também assina o texto.

Ambientada em um restaurante fora do país, quatro mulheres se encontram enclausuradas em um local decadente sem que se saiba por qual motivo, simplesmente não saem pela porta da frente. Na obra de Benedetti, quinze uruguaios, parte deles desconhecidos entre si, jantam num restaurante latino na 5ª Avenida, em Nova York. Enquanto conversam, valorizam a cultura europeia e norte-americana sempre aliada em detrimento da sua própria cultura e de seus desconhecidos vizinhos latinos.

Em Naturaleza Muerta, as mulheres estão resignadas, padronizadas, vestem roupas com as mesmas cores, convivem normalmente com insetos e animais rastejantes, alimentam-se da mesma comida, leem o mesmo livro, embora não entendam o sentido do enredo. Durante a peça, as atrizes cozinham e comem um puchero, ensopado tradicional de vários países latinos onde os ingredientes são cozidos juntos, e com temperos, numa mesma panela.

A plateia é acomodada como se fizesse parte do ambiente. “Convidamos o público a dividir a mesa. O histórico resumido e aleatório de cada personagem é servido aos poucos, em meio a tentativas de diálogos para evitar o constrangimento do silêncio diante de um desconhecido. Nesse jantar dançante de gosto duvidoso, percebemos nossas identidades definidas ou condicionadas por padrões e comportamentos que pouco parecem nos pertencer, mas que, ainda assim, definem nosso modo de interagir com a vida”, explica o diretor Rodolfo Amorim.

A dramaturga e atriz Tatiana Ribeiro ressalta que “a falta de reconhecimento da sua própria história perpetua ideias conservadoras, apresentando um povo que se mantém atrasado nas questões sociais, ainda sob uma política patriarcal, machista, misógina, escravocrata, homofóbica e racista”. Para composição do texto, Tatiana buscou outras referências como o manifesto antropofágico de Oswad de Andrade (de 1928) e o livro Moby Dick, do escritor norte-americando Herman Melville (1819-1891.

Contemplados com o edital do Proac Primeiras Obras, a proposta para a montagem surgiu durante o núcleo de pesquisa América Vizinha, coordenado pela atriz Juliana Sanches, do grupo XIX de Teatro, em 2014. “Fizemos a leitura do primeiro capítulo do romance de Mario Benedetti, que nos impressionou pela atualidade (apesar de ter sido escrito em 1965), por tratar de maneira bem contundente sobre o ‘complexo de vira-latas’ da América Latina em relação aos Estados Unidos. Num determinado momento, percebemos que, por se tratar de quatro atrizes em cena, a questão feminina era muito forte e o texto não a abarcava. Então, abrimos o processo e propomos cenas com a temática feminina e latino-americana”, conta a atriz Juliana Sanches.

“Juntos, procuramos fazer desse processo, um espaço onde cada participante pôde colocar suas questões e confrontar suas identidades, construídas e contornadas por padrões externos que rejeitamos, mas que definem cada um de nós, como um limite, uma barreira, uma porta quase nunca agradável de ser atravessada”, completa o diretor.

A ação se passa num futuro próximo, onde a negação às suas origens já se consuma absoluta. No final do prólogo do livro de Benedetti, as personagens recebem a notícia de que uma catástrofe natural dizimou o Uruguai e entram em estado de retomada e valorização de seu passado. As mulheres de Naturaleza Muerta, resgatam o que lhes foi suprimido por meio da presença de uma nova estrangeira, que ainda mantém características de suas origens e, pelo anúncio da apresentação, naquele restaurante, de uma banda chamada Las Manzanas, que já em seu nome escancara uma latinidade desprezada e forçadamente esquecida.

“Quando essa relação é saturada, e o que de fato inquieta e move cada uma dessas figuras transborda, por meio da dança e da libertação de seus corpos, compartilhamos da liberdade inspiradora, que por vezes escapa em meio a repressão”, conclui o diretor.

Ficha técnica:

Texto: Tatiana Ribeiro. Direção: Rodolfo Amorim. Assistente de direção: Bruno Canabarro. Elenco: Gabi Costa, Juliana Sanches, Maria Carolina Dressler e Tatiana Ribeiro. Produção: Vanessa Candela. Figurinos: Juliana Sanches. Cenografia: Cristiano Panzarin. Iluminação: Daniel Gonzalez. Preparação de ator: Inês Aranha. Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli. Fotografia e arte gráfica: Jonatas Marques. Provocador de pesquisa: Jean Tible. Palestrantes: Jean Tible e Carla Cristina Garcia. Coreografia: Jhennifer Peguim. Costureira: Noemi Azevedo Costa. Contrarregragem: Luciano Morgado. Idealização: Cia La Desdeñosa.

Serviço:

NATURALEZA MUERTA – Estreia dia 8 de setembro às 20h no Armazém da Vila Maria Zélia.

Temporada: De 8 a 30 de outubro – Sábados, domingos e segundas-feiras, às 20h.

Ingressos: Grátis. (Necessário retirar os ingressos com 1 hora de antecedência).

Duração: 60 minutos. Classificação etária: 16 anos. Capacidade: 50 lugares.

Dia 12 de outubro, às 19h seguido do debate Ser Latino-americano com o sociólogo e professor Jean Tible e a socióloga Carla Cristina Garcia.

Vila Maria Zélia – Rua Mário Costa 13 (Entre as ruas Cachoeira e dos Prazeres) – Belém. Telefone: (11) 2081-4647. Acesso para deficientes físicos. Informações e reservas, de terça a sexta-feira das 14 às 17h. Estacionamento: gratuito.